{"id":5030,"date":"2024-05-16T10:03:23","date_gmt":"2024-05-16T13:03:23","guid":{"rendered":"https:\/\/neurograff.com.br\/?p=5030"},"modified":"2024-05-16T12:00:04","modified_gmt":"2024-05-16T15:00:04","slug":"avaliacao-oculomotora-em-pacientes-com-disfuncao-vestibular-periferica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neurograff.com.br\/?p=5030","title":{"rendered":"Avalia\u00e7\u00e3o oculomotora em pacientes com disfun\u00e7\u00e3o vestibular perif\u00e9rica"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Objetivo:<\/strong> Verificar se os par\u00e2metros dos movimentos sac\u00e1dicos fixos e randomizados, do rastreio pendular e do nistagmo optocin\u00e9tico na vectonistagmografia digital podem apresentar altera\u00e7\u00f5es em pacientes com hip\u00f3tese diagn\u00f3stica de disfun\u00e7\u00e3o vestibular perif\u00e9rica. M\u00e9todo: Foram avaliados 60 pacientes, de ambos os sexos, com tontura de origem vestibular perif\u00e9rica e idade entre 12 e 82 anos. Os achados foram comparados com um padr\u00e3o de normalidade para os par\u00e2metros dos movimentos oculares estudados. <strong>Resultados:<\/strong> Os movimentos sac\u00e1dicos fixos estavam alterados em 100% dos casos quanto \u00e0 lat\u00eancia e em 35% quanto \u00e0 velocidade; os randomizados estavam alterados em 100% quanto \u00e0 lat\u00eancia, em 78,3% quanto \u00e0 precis\u00e3o e 1,7% quanto \u00e0 velocidade; o rastreio pendular apresentou altera\u00e7\u00e3o do ganho nas freq\u00fc\u00eancias de 0,1Hz em 15%, 0,2Hz em 21,7% e 0,4Hz em 13,3%; o nistagmo optocin\u00e9tico apresentou altera\u00e7\u00e3o da velocidade angular da componente lenta em 1,7% e do ganho em 5%. <strong>Conclus\u00f5es:<\/strong> A lat\u00eancia e a velocidade dos movimentos sac\u00e1dicos fixos; a lat\u00eancia, a precis\u00e3o e a velocidade dos movimentos randomizados; o ganho do rastreio pendular; a velocidade angular da componente lenta e o ganho do nistagmo optocin\u00e9tico na vectonistagmografia digital podem apresentar altera\u00e7\u00f5es em pacientes com hip\u00f3tese diagn\u00f3stica de disfun\u00e7\u00e3o vestibular perif\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O equil\u00edbrio corporal depende de informa\u00e7\u00f5es sensoriais visuais, proprioceptivas e vestibulares, que correspondem a um padr\u00e3o fisiol\u00f3gico reconhecido pelo Sistema Nervoso Central (SNC). A integra\u00e7\u00e3o dessas informa\u00e7\u00f5es ocorre nos n\u00facleos vestibulares do tronco encef\u00e1lico. O SNC processa e organiza as informa\u00e7\u00f5es sensoriais e se encarrega do controle e planejamento motor, desencadeando reflexos oculares e espinais adequados para a manuten\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica e inconsciente do equil\u00edbrio corporal no meio ambiente e a orienta\u00e7\u00e3o espacial est\u00e1tica e din\u00e2mica. O exame funcional do sistema vestibular pode ser realizado por meio da eletronistagmografia ou vectonistagmografia e tem como objetivo verificar a exist\u00eancia ou n\u00e3o de comprometimento vestibular, identificar o lado afetado, estabelecer o topodiagn\u00f3stico da les\u00e3o (perif\u00e9rico ou central), caracterizar o tipo da les\u00e3o, determinar o progn\u00f3stico e monitorar a evolu\u00e7\u00e3o do paciente com a terap\u00eautica institu\u00edda. A vectonistagmografia digital \u00e9 um dos m\u00e9todos mais empregados no nosso meio para avaliar a fun\u00e7\u00e3o vestibular, conferindo maior sensibilidade diagn\u00f3stica por permitir a medida dos par\u00e2metros da fun\u00e7\u00e3o vest\u00edbulo-oculomotora \u00e0 compara\u00e7\u00e3o entre est\u00edmulos e respostas, al\u00e9m de identificar a dire\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos oculares. Est\u00e3o descritos cinco sistemas de movimentos oculares: persegui\u00e7\u00e3o lenta, que mant\u00e9m a imagem de um objeto em movimento na f\u00f3vea; sac\u00e1dico, que posiciona a imagem de um alvo sobre a f\u00f3vea; vestibular, que gera movimentos oculares iguais e opostos aos da cabe\u00e7a; optocin\u00e9tico, que gera movimentos lentos de seguimento e r\u00e1pidos de refixa\u00e7\u00e3o, em resposta aos movimentos da imagem; e, verg\u00eancia, respons\u00e1vel pelos movimentos dos olhos em dire\u00e7\u00f5es opostas para posicionar a imagem em ambas as f\u00f3veas. A via sac\u00e1dica envolve v\u00e1rias regi\u00f5es do c\u00f3rtex cerebral, cerebelo e tronco cerebral. Os par\u00e2metros lat\u00eancia, velocidade e acur\u00e1cia dos movimentos sac\u00e1dicos randomizados ou fixos avaliam a efici\u00eancia do controle do SNC sobre os movimentos r\u00e1pidos dos olhos. Poucas desordens que alteram o SNC deixam de ser detectadas quando lat\u00eancia, velocidade e acur\u00e1cia dos movimentos sac\u00e1dicos s\u00e3o medidas com precis\u00e3o por meio de um computador. A fun\u00e7\u00e3o dos movimentos de persegui\u00e7\u00e3o lenta \u00e9 estabilizar a imagem de um alvo que se movimenta sobre a f\u00f3vea. Este sistema \u00e9 muito vulner\u00e1vel a disfun\u00e7\u00f5es do SNC e freq\u00fcentemente causa transtornos cl\u00ednicos. A velocidade do movimento de persegui\u00e7\u00e3o lenta pode ser considerada como um indicador sens\u00edvel de disfun\u00e7\u00f5es do tronco encef\u00e1lico. O rastreio pendular \u00e9 o movimento dos olhos resultante do acompanhamento de um alvo m\u00f3vel e avalia a integridade do sistema oculomotor no controle dos movimentos oculares lentos, vulner\u00e1veis a disfun\u00e7\u00f5es do SNC e do sistema vestibular. O rastreio pendular do tipo I e II \u00e9 encontrado em indiv\u00edduos normais e nas enfermidades labir\u00ednticas; os tipos III e IV, em casos com enfermidades degenerativas do cerebelo, oclus\u00f5es vasculares das art\u00e9rias cerebelares, tumores do \u00e2ngulo pontocerebelar, nistagmo cong\u00eanito, hipertens\u00e3o e diabetes com vasculopatia avan\u00e7ada. O nistagmo optocin\u00e9tico \u00e9 um fen\u00f4meno ocular r\u00edtmico, involunt\u00e1rio, inconsciente e autom\u00e1tico. Pode ser reproduzido ao acompanhar pontos luminosos que se movem em uma dire\u00e7\u00e3o e depois na dire\u00e7\u00e3o oposta. Representa uma resposta exteroceptiva que compensa os movimentos do meio ambiente por impulsos psico-\u00f3pticos. O nistagmo optocin\u00e9tico pode estar alterado nas s\u00edndromes do SNC e nas disfun\u00e7\u00f5es vestibulares. O objetivo desse estudo \u00e9 verificar se os par\u00e2metros dos movimentos sac\u00e1dicos fixos e randomizados, do rastreio pendular e do nistagmo optocin\u00e9tico podem apresentar altera\u00e7\u00f5es na vectonistagmografia digital em pacientes com hip\u00f3tese diagn\u00f3stica de disfun\u00e7\u00e3o vestibular perif\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">M\u00e9todo<\/h2>\n\n\n\n<p>Constou da an\u00e1lise dos par\u00e2metros oculomotores dos movimentos sac\u00e1dicos fixos e randomizados rastreio pendular e nistagmo optocin\u00e9tico \u00e0 vectonistagmografia digital 60 pacientes com disfun\u00e7\u00e3o vestibular perif\u00e9rica, do Setor de Equilibriometria da Disciplina de Otoneurologia da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo &#8211; Escola Paulista de Medicina de S\u00e3o Paulo. O protocolo de pesquisa foi aprovado pela Co-<br>miss\u00e3o de \u00c9tica em Pesquisa, desta mesma institui\u00e7\u00e3o; os participantes leram e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Os pacientes selecionados tinham idade entre 12 e 82 anos, 19 (31,7%) eram do sexo masculino e 41 (68,3%) do sexo feminino. Para a realiza\u00e7\u00e3o dos testes de fun\u00e7\u00e3o vestibular, os pacientes foram instru\u00eddos a n\u00e3o usar por 72 horas medicamentos para tontura, calmantes e relaxantes, e por 48 horas, ch\u00e1, caf\u00e9, chocolate, refrigerante, fumo e bebida alco\u00f3lica, por interferirem nos movimentos oculares, alterando os resultados do exame. No dia do exame, deveriam fazer refei\u00e7\u00f5es leves, mantendo um jejum de tr\u00eas horas. Os procedimentos efetuados na eletronistagmografia digital seguiram os crit\u00e9rios de pesquisa de nistagmo de posicionamento; calibra\u00e7\u00e3o dos movimentos oculares;<br>pesquisa do nistagmo espont\u00e2neo, semi-espont\u00e2neo, e optocin\u00e9tico; movimentos sac\u00e1dicos fixos e randomizados; rastreio pendular; prova rotat\u00f3ria pendular decrescente e prova cal\u00f3rica com ar. Os equipamentos utilizados foram um vectonistagm\u00f3grafo digital VECWIN, uma barra luminosa e um estimulador cal\u00f3rico a ar NGR-05, da marca Neurograff Eletromedicina Ind. e Com. Ltda-EPT. A pesquisa do nistagmo de posicionamento foi realizada por meio de uma manobra, partindo da posi\u00e7\u00e3o sentada com a cabe\u00e7a virada 45 graus para um dos lados, conduzir rapidamente o paciente ao dec\u00fabito lateral oposto, retorn\u00e1-lo, rapidamente \u00e0 posi\u00e7\u00e3o sentada e repetir o mesmo procedimento para o outro lado. Cada posi\u00e7\u00e3o foi mantida durante 30 segundos ou at\u00e9 que a tontura e\/ou o nistagmo diminu\u00edssem ou cedessem. Antes do teste, os pacientes foram instru\u00eddos para n\u00e3o impor resist\u00eancia ao movimento e n\u00e3o fechar os olhos. Previamente \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da vectonistagmografia digital, procedeu-se \u00e0 limpeza da pele e a coloca\u00e7\u00e3o de tr\u00eas eletrodos ativos e um eletrodo terra. Os eletrodos ativos foram dispostos no canto externo periorbit\u00e1rio direito, no canto externo periorbit\u00e1rio esquerdo e na linha m\u00e9dia frontal, utilizando a disposi\u00e7\u00e3o triangular de deriva\u00e7\u00f5es que possibilita gravar os movimentos oculares em tr\u00eas canais de registro. A calibra\u00e7\u00e3o foi efetuada para que as diferentes etapas do exame fossem feitas nas mesmas condi\u00e7\u00f5es, e tamb\u00e9m para propiciar a medida autom\u00e1tica da lat\u00eancia, precis\u00e3o, velocidade e ganho de outros movimentos oculares, al\u00e9m da velocidade da componente lenta do nistagmo. O nistagmo espont\u00e2neo foi pesquisado no olhar frontal, com os olhos abertos e depois fechados. O nistagmo semi-espont\u00e2neo foi investigado no desvio do olhar para a direita, para a esquerda, para cima e para baixo, sem ultrapassar 30o de desvio da linha m\u00e9dia. Na presen\u00e7a destes fen\u00f4menos, foi medida a velocidade da componente lenta. Os movimentos sac\u00e1dicos foram avaliados ao acompanhamento visual de um alvo que se move com padr\u00e3o fixo ou randomizado. Os par\u00e2metros de avalia\u00e7\u00e3o foram lat\u00eancia, velocidade e precis\u00e3o das s\u00e1cadas. O rastreio pendular foi avaliado por meio do acompanhamento visual do movimento sinusoidal de um ponto luminoso nas freq\u00fc\u00eancias de 0,2 e 0,4Hz. Nesta prova foi poss\u00edvel avaliar o tipo e o ganho do movimento ocular. O ganho e a velocidade do nistagmo optocin\u00e9tico foram medidos durante o acompanhamento visual de um ponto luminoso em movimento, com dire\u00e7\u00e3o fixa para um lado e depois para o outro, \u00e0 velocidade de 10\u00b0\/s. A prova rotat\u00f3ria pendular decrescente (PRPD) foi realizada com o paciente sentado, com os olhos fechados e a cabe\u00e7a inclinada 30\u00b0 para diante, na estimula\u00e7\u00e3o dos canais semicirculares laterais. Na estimula\u00e7\u00e3o dos canais semicirculares posterior e superior, a cabe\u00e7a foi fletida 60\u00b0 para tr\u00e1s e 45o para o lado direito, e posteriormente, 60\u00b0 para tr\u00e1s e 45\u00b0 para o lado esquerdo. A cadeira foi deslocada 90\u00b0 do centro e liberada, realizando um movimento pendular peri\u00f3dico de amplitude decrescente. O nistagmo per-rotat\u00f3rio desencadeado foi avaliado por meio da medida da velocidade de sua componente lenta. Foram tamb\u00e9m pesquisadas a presen\u00e7a de nistagmo pr\u00e9-rotat\u00f3rio e sua poss\u00edvel influ\u00eancia nos resultados da prova. A prova cal\u00f3rica foi realizada estimulando cada ouvido separadamente com ar a 18 e a 42oC, durante 80 segundos. Vertigem, dire\u00e7\u00e3o e velocidade da componente lenta do nistagmo p\u00f3s-cal\u00f3rico foram analisadas com os olhos fechados e com os olhos abertos. A presen\u00e7a de nistagmo pr\u00e9-cal\u00f3rico e a sua influ\u00eancia nos resultados da prova foram investigadas. Os exames possibilitaram a caracteriza\u00e7\u00e3o da disfun\u00e7\u00e3o do sistema vestibular perif\u00e9rico nos pacientes deste estudo. Os par\u00e2metros relacionados com movimentos sac\u00e1dicos fixos e randomizados, rastreio pendular e nistagmo optocin\u00e9tico foram analisados e comparados com limites de normalidade, que utilizou a mesma conduta de avalia\u00e7\u00e3o e os mesmos equipamentos. Para a an\u00e1lise estat\u00edstica dos resultados, as vari\u00e1veis quantitativas foram representadas por m\u00e9dia, mediana, desvio padr\u00e3o (d.p.) e valores m\u00ednimo e m\u00e1ximo, limites inferior e superior, e as qualitativas por freq\u00fc\u00eancia absoluta (n) e relativa (%). A compara\u00e7\u00e3o entre os movimentos para a direita e para a esquerda das medidas nas provas de movimentos sac\u00e1dicos fixos e randomizados e nistagmo optocin\u00e9tico foi realizada pelo teste de An\u00e1lise de Vari\u00e2ncia (ANOVA). Como em nenhuma dessas avalia\u00e7\u00f5es foi encontrada diferen\u00e7a estatisticamente significante, as unidades passarama ser denominado \u201cmovimento ocular\u201d. Foi realizado o teste de An\u00e1lise de Vari\u00e2ncia (ANOVA) na compara\u00e7\u00e3o das m\u00e9dias desta pesquisa com o padr\u00e3o de normalidade, o teste de Igualdade de Duas Propor\u00e7\u00f5es para comparar a propor\u00e7\u00e3o de respostas de duas determinadas vari\u00e1veis e\/ou seus n\u00edveis e se estes s\u00e3o estatisticamente significantes<br>e por fim, o teste de Intervalo de Confian\u00e7a para verificar o quanto a m\u00e9dia pode variar numa determinada probabilidade de confian\u00e7a. Adotou-se o n\u00edvel de signific\u00e2ncia de 0,05 (a = 5%) e n\u00edveis descritivos (p) inferiores a esse valor foram considerados significantes e representados por um asterisco (*).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resultados<\/h2>\n\n\n\n<p>Foram estudadas as provas oculomotoras na vectonistagmografia digital de 60 pacientes com tontura de origem vestibular perif\u00e9rica. Os movimentos sac\u00e1dicos fixos foram avaliados como regulares em todos os casos. Observamos na Tabela 1 que n\u00e3o houve diferen\u00e7a estatisticamente significante entre os movimentos oculares para a direita e para a esquerda, quanto \u00e0 lat\u00eancia (em ms), velocidade (em o\/s) e precis\u00e3o dos movimentos sac\u00e1dicos fixos. Verificamos na Tabela 2 que n\u00e3o houve diferen\u00e7a estatisticamente significante entre os movimentos oculares para a direita e para a esquerda, quanto \u00e0 lat\u00eancia (em ms), velocidade (em o\/s) e precis\u00e3o dos movimentos sac\u00e1dicos randomizados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"712\" height=\"466\" src=\"https:\/\/neurograff.com.br\/storage\/2024\/05\/Capturar.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5031\" style=\"width:841px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/neurograff.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Capturar.png 712w, https:\/\/neurograff.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Capturar-300x196.png 300w, https:\/\/neurograff.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Capturar-600x393.png 600w\" sizes=\"(max-width: 712px) 100vw, 712px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A Tabela 3 mostra que n\u00e3o houve diferen\u00e7a estatisticamente significante \u00e0 compara\u00e7\u00e3o entre os movimentos oculares para a direita e para a esquerda, quanto ao ganho e \u00e0 velocidade angular da componente lenta (VACL) do nistagmo optocin\u00e9tico. Verificamos na Tabela 4 os dados estat\u00edsticos dos<br>valores de lat\u00eancia, velocidade e precis\u00e3o dos movimentos sac\u00e1dicos fixos. A Tabela 5 apresenta os dados estat\u00edsticos dos valores de lat\u00eancia, velocidade e precis\u00e3o dos movimentos sac\u00e1dicos randomizados. A Tabela 6 nos mostra observamos os dados estat\u00edsticos dos valores de VACL e ganho do nistagmo optocin\u00e9tico. Observamos na Tabela 7 os dados estat\u00edsticos dos valores de ganho do rastreio pendular nas freq\u00fc\u00eancias de 0,1, 0,2 e 0,4Hz. Na Tabela 8 observamos que todos os pacientes (100,0%) apresentaram altera\u00e7\u00e3o na lat\u00eancia dos movimentos sac\u00e1dicos fixos e 35,0% na velocidade. A precis\u00e3o esteve dentro dos padr\u00f5es da normalidade em todos os casos (100,0%). Houve uma maior propor\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos com resultados alterados da lat\u00eancia e uma maior propor\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos com resultadosentro do padr\u00e3o da normalidade de velocidade e precis\u00e3o. A diferen\u00e7a entre os resultados dentro do padr\u00e3o da normalidade e alterados dos tr\u00eas par\u00e2metros foi estatisticamente significante.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"356\" height=\"318\" src=\"https:\/\/neurograff.com.br\/storage\/2024\/05\/Capturar1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5032\" srcset=\"https:\/\/neurograff.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Capturar1.png 356w, https:\/\/neurograff.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Capturar1-300x268.png 300w\" sizes=\"(max-width: 356px) 100vw, 356px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"532\" height=\"532\" src=\"https:\/\/neurograff.com.br\/storage\/2024\/05\/Capturar2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5033\" srcset=\"https:\/\/neurograff.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Capturar2.png 532w, https:\/\/neurograff.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Capturar2-300x300.png 300w, https:\/\/neurograff.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Capturar2-150x150.png 150w, https:\/\/neurograff.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Capturar2-100x100.png 100w\" sizes=\"(max-width: 532px) 100vw, 532px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Na Tabela 9, observamos que todos os casos (100,0%) mostraram altera\u00e7\u00e3o de lat\u00eancia, 1,7% de velocidade e 78,3% de precis\u00e3o dos movimentos sac\u00e1dicos randomizados. Houve uma maior propor\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos com resultados alterados de lat\u00eancia e precis\u00e3o, e uma maior propor\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos com resultados dentro do padr\u00e3o da normalidade de velocidade. A diferen\u00e7a entre os resultados dentro do padr\u00e3o da normalidade e alterados dos tr\u00eas par\u00e2metros foi estatisticamente significante. O nistagmo optocin\u00e9tico foi sim\u00e9trico \u00e0 compara\u00e7\u00e3o entre as suas duas dire\u00e7\u00f5es em todos os casos. Na Tabela 10, observamos 1,7% dos casos com altera\u00e7\u00e3o de VACL e 5,0% de ganho do nistagmo optocin\u00e9tico. A preponder\u00e2ncia direcional do nistagmo optocin\u00e9tico esteve dentro do padr\u00e3o de normalidade em todos os casos. Houve uma maior propor\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos com resultados dentro do padr\u00e3o da normalidade de VACL e ganho. A diferen\u00e7a entre os resultados dentro do padr\u00e3o da normalidade e alterados dos dois par\u00e2metros foi estatisticamente significante.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"351\" height=\"385\" src=\"https:\/\/neurograff.com.br\/storage\/2024\/05\/Capturar3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5034\" srcset=\"https:\/\/neurograff.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Capturar3.png 351w, https:\/\/neurograff.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Capturar3-274x300.png 274w\" sizes=\"(max-width: 351px) 100vw, 351px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Rastreio pendular dos tipos I ou II, dentro do padr\u00e3o da normalidade, foram encontrados em todos os casos. Na Tabela 11, notamos 15,0% de casos com altera\u00e7\u00e3o do ganho na freq\u00fc\u00eancia 0,1Hz, 21,7% em 0,2Hz e 13,3% em 0,4Hz. Houve uma maior propor\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos com resultados dentro do padr\u00e3o da normalidade em todas as freq\u00fc\u00eancias pesquisadas do rastreio pendular. Nas tr\u00eas freq\u00fc\u00eancias do rastreio pendular, a diferen\u00e7a entre os resultados dentro do padr\u00e3o da normalidade e alterados foi estatisticamente significante.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Discuss\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Foi poss\u00edvel observar a regularidade do tra\u00e7ado dos movimentos sac\u00e1dicos fixos em todos os pacientes com vestibulopatias perif\u00e9ricas, coincidindo com as informa\u00e7\u00f5es da literatura. Em rela\u00e7\u00e3o aos movimentos sac\u00e1dicos fixos, verificou-se maior propor\u00e7\u00e3o de casos com lat\u00eancia alterada e sem anormalidades de velocidade e precis\u00e3o. A diferen\u00e7a entre os resultados dentro do padr\u00e3o da normalidade e alterados dos tr\u00eas par\u00e2metros foi estatisticamente significante. Em crian\u00e7as com migr\u00e2nea, foram relatados 36,0% dos casos com altera\u00e7\u00e3o da lat\u00eancia, 39,1% dos casos com altera\u00e7\u00e3o da velocidade e 26,1% dos casos com altera\u00e7\u00e3o da precis\u00e3o dos movimentos sac\u00e1dicos fixos. Em rela\u00e7\u00e3o aos movimentos sac\u00e1dicos randomizados, verificamos maior propor\u00e7\u00e3o de casos com lat\u00eancia e precis\u00e3o alteradas, como tamb\u00e9m casos sem anormalidades de velocidade. A diferen\u00e7a entre os resultados dentro do padr\u00e3o da normalidade e alterados dos tr\u00eas par\u00e2metros foi estatisticamente significante. Em crian\u00e7as com migr\u00e2nea, altera\u00e7\u00f5es da lat\u00eancia foram referidas em 13,0% dos casos; da velocidade em 34,8% e da precis\u00e3o em 17,4%, dados que diferem dos nossos. N\u00e3o encontramos na literatura consultada refer\u00eancias de avalia\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas relativas aos movimentos sac\u00e1dicos fixos e randomizados para comparar com os achados deste estudo. Analisando os movimentos sac\u00e1dicos nas vestibulopatias perif\u00e9ricas de um modo geral, a literatura aponta lat\u00eancia alterada em n\u00famero relevante de casosou em poucos casos; altera\u00e7\u00f5es da velocidade foram encontradas em 13,0% dos casos e da precis\u00e3o em 3%. A elevada preval\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es da lat\u00eancia dos movimentos sac\u00e1dicos fixos e randomizados e as altera\u00e7\u00f5es da velocidade e da precis\u00e3o encontradas neste estudo em vestibulopatias perif\u00e9ricas podem constituir um sinal de disfun\u00e7\u00e3o vest\u00edbulo-oculomotora, n\u00e3o obrigatoriamente localizada no sistema nervoso central. Na prova do nistagmo optocin\u00e9tico geralmente ocorre simetria dos valores de VACL em indiv\u00edduos normais ou com s\u00edndromes vestibulares perif\u00e9ricas. Em crian\u00e7as com migr\u00e2nea, 8,7% dos casos apresentaram aumento da<br>VACL, 4,3% altera\u00e7\u00e3o do ganho e 21,7% preponder\u00e2ncia direcional do nistagmo optocin\u00e9tico. Encontramos maior propor\u00e7\u00e3o de casos sem anormalidades de velocidade e ganho do nistagmo optocin\u00e9tico. A diferen\u00e7a entre os resultados dentro do padr\u00e3o da normalidade e alterados dos dois par\u00e2metros foi estatisticamente significante. N\u00e3o foram encontradas refer\u00eancias de avalia\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas<br>sobre o nistagmo optocin\u00e9tico, para confronto com os nossos achados. Na prova do rastreio pendular, os tra\u00e7ados s\u00e3o do tipo I ou II. As altera\u00e7\u00f5es do ganho do rastreio pendular podem ocorrer em vestibulopatias perif\u00e9ricas. Em nossa pesquisa, verificamos uma maior propor\u00e7\u00e3o de casos sem anormalidades de ganho do rastreio pendular. A diferen\u00e7a entre os resultados dentro do padr\u00e3o da normalidade e alterados deste par\u00e2metro foi estatisticamente significante. N\u00e3o encontramos refer\u00eancias de avalia\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas sobre o rastreio pendular, para compara\u00e7\u00e3o com os nossos achados. Diante do que foi poss\u00edvel observar nesta pesquisa, altera\u00e7\u00f5es dos par\u00e2metros dos movimentos sac\u00e1dicos fixos e randomizados, do nistagmo optocin\u00e9tico e do rastreio pendular na vectonistagmografia digital tamb\u00e9m podem ser encontradas em pacientes com tonturas de origem vestibular perif\u00e9rica. Portanto, \u00e9 preciso ser cauteloso ao considerar estas altera\u00e7\u00f5es oculomotoras como indicadores de disfun\u00e7\u00f5es de tronco encef\u00e1lico. Novas pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias, para verificar as implica\u00e7\u00f5es topodiagn\u00f3sticas dos aspectos qualitativos e quantitativos destas altera\u00e7\u00f5es em vestibulopatias perif\u00e9ricas e centrais.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A lat\u00eancia e a velocidade dos movimentos sac\u00e1dicos fixos, a lat\u00eancia, a precis\u00e3o e a velocidade dos movimentos sac\u00e1dicos randomizados, o ganho do rastreio pendular, a velocidade angular da componente lenta e o ganho do nistagmo optocin\u00e9tico na vectonistagmografia digital podem apresentar altera\u00e7\u00f5es em pacientes com hip\u00f3tese diagn\u00f3stica de disfun\u00e7\u00e3o vestibular perif\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/h2>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Baloh RW, Halmagyi GM. Disorders of the vestibular system. New York: Oxford University; 1996.<\/li>\n\n\n\n<li>Ganan\u00e7a MM, Caovilla HH, Munhoz MSL, Silva MGL, Frazza MM. As etapas da equilibriometria cl\u00ednica. S\u00e3o Paulo: Atheneu; 1999. p.41-5.<\/li>\n\n\n\n<li>Caovilla HH, Ganan\u00e7a MM, Munhoz MSL, Silva MLG, Frazza MM. O equil\u00edbrio corporal e os seus dist\u00farbios. Rev Bras Med Otorrinolaringol. 1997;4(5):158.<\/li>\n\n\n\n<li>Robinson DA. Eye movements control in primates. Science 1968;161:1219.<\/li>\n\n\n\n<li>Leigh RJ, Zee DS. The saccadic system. In: Leigh RJ, Zee DS, eds. The neurology of eye movement 3rd ed. New York: Oxford University Press; 1999. p.90-150.<\/li>\n\n\n\n<li>Konrad HR. Clinical application of saccade-reflex testing in man. Laryngoscope 1991;101:1293-302.<\/li>\n\n\n\n<li>Barnes D, McDonald WI. The ocular manifestations of multiple sclerosis: 2 abnormalities of eye movements. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 1992;55:863-8.<\/li>\n\n\n\n<li>Baloh RW, Kumley WE, Hunrubia V, Sills AW, Konrad HR. 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Acta Awho. 1998;17(1):39-46.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte<\/strong>: <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1CoaTw_5_Lrz_CzoB9Bet2cvsXzXbOlYf\/view?usp=drive_link\">https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1CoaTw_5_Lrz_CzoB9Bet2cvsXzXbOlYf\/view?usp=drive_link<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Objetivo: Verificar se os par\u00e2metros dos movimentos sac\u00e1dicos fixos e randomizados, do rastreio pendular e do nistagmo optocin\u00e9tico na vectonistagmografia digital podem apresentar altera\u00e7\u00f5es em pacientes com hip\u00f3tese diagn\u00f3stica de disfun\u00e7\u00e3o vestibular perif\u00e9rica. M\u00e9todo: Foram avaliados 60 pacientes, de ambos os sexos, com tontura de origem vestibular perif\u00e9rica e idade entre 12 e 82 anos. 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